Fixismo – Teorias fixistas

As primeiras tentativas de explicação da biodiversidade são fixistas. A perspectiva geocêntrica dominava o pensamento filosófico e científico desde a Antiguidade. Os filósofos gregos propunham teorias mais ou menos fantasistas, sem qualquer apoio científico. Por exemplo, Anaximandro (611-546 a.C.) propôs que os primeiros animais teriam tido origem da vasa marinha desaparecida, dessecada pelo sol. Mas tarde estes animais teriam sido substituídos por outros mais complexos. Contudo, a importância destes filósofos noutras áreas do pensamento levaram a que as suas teorias fossem bem aceites na sociedade.

Hipótese Criacionista

Mais tarde, com o aparecimento do cristianismo, num mundo onde a religião tem uma papel muito importante,  a interpretação à letra do Génesis leva à implementação da ideia de que todas as formas vivas foram criadas num único momento da criação, por obra divina, perfeitas e imutáveis. Como Deus é perfeito, todo o seu trabalho é perfeito.

As imperfeições seriam devidas às condições do mundo material que, este sim, era corrupto e imperfeito.

Mesmo os filósofos da época, numa tentativa de conciliação entre entre religião, ciência e sociedade, propõem que perfeição implica estabilidade. Coisas perfeitas e divinas não mudam. Consolida-se a ideia de que depois de Deus ter criado as primeiras espécies perfeitas, elas mantiveram-se fixas desde todo o sempre. Todas as vezes que uma espécie era descrita, constituía um tipo ideal e entrava nas colecções dos museus a fim de representar esse tipo.

 

Hipótese da Geração Espontânea

De acordo com esta hipótese, os seres vivos podem surgir espontaneamente a partir de matéria inerte, não-viva.

Já Aristóteles tinha defendido a ideia de que os seres vivos poderiam gerar a partir da matéria inerte, e que esses seres vivos podiam ser simples ou complexos, mas todos poderiam surgir de forma espontânea, por intermédio da acção daquilo a que chamou “princípio activo”.

Mais tarde, no séc. XVI, quando começam a surgir novas preocupações com o pensamento científico e a importância da observação, algumas observações levadas a cabo por naturalistas, por serem feitas com pouco rigor, consolidaram a ideia de que seria inclusivamente possível recriar as condições de formação de algumas espécies.

Van Helmont, um conceituado médico, químico e fisiologista belga, defensor das ideias de Aristóteles, chega mesmo a escrever um “livro de receitas” que ensinava como obter seres vivos a partir do “princípio activo” de que falava o filósofo.

No séc. XVI ainda nada se sabia a respeito de microbiologia. É claro que mantendo-se condições de assepsia adequadas, e em ambientes controlados sem acesso a outros seres exteriores será completamente impossível que qualquer uma destas “receitas” resulte. Os animais teoricamente gerados são na realidade atraídos pelas misturas sugeridas pelo autor.

Numa tentativa de conciliação com o pensamento religioso dominante, assumia-se que as espécies seriam então unidades fixas e imutáveis,  surgiam num mundo estático de forma independente umas das outras de uma de duas formas: ou a partir de uma matéria inerte, em condições especiais (geração espontânea) ou então num acto de criação especial (criacionismo).

 

Catastrofismo

No séc. XVIII, Georges Cuvier, um naturalista, zoólogo e paleontólogo francês, dedica-se ao estudo dos fósseis, até então considerados apenas como meras curiosidades científicas. Com base no registo fóssil, este naturalista procura fazer a reconstrução dos animais cujos vestígios vai encontrando. É a partir do estudo dos fósseis que Cuvier chega à conclusão que no passado existiram espécies diferentes das actuais. Contudo, verificou que algumas espécies desaparecem repentinamente de um estrato para outro.

Desenho de Cuvier da reconstituição de um mamífero já extinto, Anoplotherium commune.

Defensor das teorias fixistas, Cuvier interpreta essas lacunas e a existência de espécies diferentes das actuais como o resultado de grandes catástrofes naturais que teriam levado à destruição dessas espécies, que foram depois substituídas por outras num momento único. Essas espécies permaneceriam imutáveis até à ocorrência de uma nova catástrofe. A sua teoria foi por isso chamada de catastrofismo.

Progressivamente, a sua teoria foi contestada pelo uniformitarismo de Hutton e Llyell (ver Geologia 10).

 

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